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Bem vindo Dragão, 23 de Fevereiro de 2019

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Crónicas do Dragão

“Não é corrupção desportiva, é só corrupção normal”

Adicionado em: 20 de Janeiro de 2019 // Fonte: Dragão Inconveniente

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Foi há quase dois anos que Francisco J. Marques surgiu, pela primeira vez, no Porto Canal com algo que, a princípio, muitos trataram como anedótica, mas que desde então se tem revelado como algo tão podre e maligno e que só mesmo num país como Portugal é que o mensageiro pode ser colocado em xeque. Os "e-mails" que a início para alguns era só uma forma disparatada de distrair a atenção para mais um erro de "casting" do FC Porto, acabou por ser o ponto de partida para uma série de escabrosas revelações que puseram em causa tudo o que sabemos (ou pensávamos saber) sobre o futebol português da última década.

O certo é que ao longo destes quase dois anos viemos a saber que as ligações do Al-Carnidão, através de destacados elementos da sua mais estrita esfera de decisão, não se restringem apenas ao futebol e ao controlo do mesmo com compra de árbitros, dirigentes e jogadores de outros clubes (de forma directa ou ajudando financeiramente os seus clubes pagando salários, emprestando dinheiro em operações de jogadores adquiridos e emprestados num circuito de trocas no mínimo suspeitas e que já chamaram a atenção do organismo da UE de combate à corrupção), ou figuras dos corredores do poder na Liga, na Federação, na Apaf, no Concelho de Disciplina, na PJ, na Câmara Municipal de Lisboa, no Governo, no Ministério Público e nos Tribunais.

Desta feita, e perante a gravidade dos actos praticados pelo clube sediado em Al-Chaarnide, chegamos a Janeiro de 2019 com este constituído arguido e sob inequívoca suspeita pelos crimes que em tempos, do alto do seu pedestal de falsa moralidade, imputava a outros.

Agora que essa superioridade moral se esfuma à medida que vamos conhecendo os “modos operandi” desta instituição, a sua delicada situação não dá azo a grandes argumentações ou possibilidades de defesa.
Contudo não é por isso que o deixam de tentar. “Não é corrupção desportiva, é só corrupção normal”, é a afirmação que ilustra na perfeição a linha de defesa seguida pelo Al-Carnidão. É precisamente com esta frase, que um suposto experiente advogado, e professor de direito da Universidade Nova de Lisboa, pretende defender o seu “clube querido” das acusações que foram formalizadas no dia 27 de Agosto de 2018. Pelo meio é largada a ideia de inocência absoluta, o que já de si configura uma importante vitória. Justiça seja feita a este “venturoso” advogado, perante tamanhas evidencias, melhor também seria difícil. Especialmente quando nesta sua tarefa hercúlea, as suas considerações legais devem alinhar com a cartilha oficial emanada da “toca de crise” que, talvez não percebendo o porquê do “E” no nome do processo (E-Toupeira), tenta agora a todo custo transmitir a ideia de que o mesmo nada tem que ver com o futebol de forma a evitar as pesadas sanções desportivas que podem mesmo vir a ser aplicadas.
Muita tinta correu, e muitas das figuras chave deste sistema montado pelo Escobar das Furnas têm vindo a cair uma a uma, com especial destaque para o precário Casimiro, o seu handy-man que cometia os mais variados crimes em prol do seu Al-Carnidão mas que devido à amnésia selectiva do seu líder e num último acto de sacrifício e lealdade enfrentará, juntamente com a sua toupeira de estimação, as acusações de que é alvo.

Este é deveras um processo estranho. A Juíza do processo (já com um passado no mínimo dúbio no que respeita a casos envolvendo este Al-Carnidão e suas altas figuras) optou por levar o Casimiro e demais toupeira a julgamento deixando de fora o principal beneficiado com o périplo dos crimes que ambos alegadamente cometeram.

Mais recentemente, com a descoberta de um alegado hacker, as fichas têm sido todas apostadas no regresso a uma tese já antiga, a do crime informático. Alegam as sumidades de direito na “toca da crise” que Francisco J. Marques e o Porto Canal cometeram esse crime e como tal os e-mails não deverão constituir prova. O desespero por vezes tem destas coisas…

Acontece que a ilegalidade da prova só é aplicada quando são as autoridades a aceder ou adquirir a informação por outras vias que não as vias legais. Ora, Francisco J. Marques não é um agente da autoridade e mesmo que este tenha pago ao alegado hacker (que até divulgou informação delicada sobre o próprio FC Porto) para ter acesso a tal informação, a sua obrigação, enquanto jornalista, não é investigar o caso para formalizar uma acusação do ponto de vista criminal mas investigar com vista a denunciar o caso às autoridades e divulga-lo ao público. Desta forma a ilegalidade de acesso até pode ser tida em conta no caso de Francisco J. Marques mas não no caso da PJ, que recebeu a informação através de um dos mecanismos mais comuns, a denúncia da parte de um cidadão, neste caso jornalista, que até tem como obrigação civil e deontológica informar as autoridades e todo o país sobre os crimes que por cá são praticados.

Ora imaginemos nós se todos os casos de corrupção denunciados pela comunicação social e deslindados pelos jornalistas de investigação fossem tratados segundo esta mesma bitola. Conseguem imaginar o que aconteceria se todas as provas por eles conseguidas fossem consideradas ilegais (tal como o AL-Carnidão pretende que seja)? O presidente Nixon, no escândalo Watergate, nunca teria sido alvo de “impeachment”, José Sócrates não tinha ido fazer a sua estadia a Évora e andava por aí livremente a preparar a sua candidatura à presidência da República, o Zeinal Bava não tinha descoberto a sua grave doença de perda de memória (que, pasme-se, também afecta o “primeiro ministro” do Al-Carnidão), o Ricardo Salgado ainda estava no BES a fazer os desfalques que bem lhe apetecesse, o presidente da Câmara Municipal de Pedrogão ainda andava pacificamente a fazer o desfalque aos fundos para a reconstrução de habitações, o pessoal da IURD ainda andava a realizar adopções ilegais, a Igreja Católica continuava alegremente a ocultar os milhares de casos de violações pelos seus membros, sem Assange e sem Snowden os EUA continuavam a espiar tudo e todos e a cometer inúmeros crimes de guerra, no Panamá continuavam a acumular-se fortunas colossais e ilegais etc, etc, etc. O que têm todos estes casos em comum? Até certo ponto todos tiveram origem numa fuga de informação ou no seu acesso por via da violação de correspondência ou documentação sensível que vieram a expor as ilegalidades praticadas. Quem é que se revoltou contra aqueles que vieram a público denunciar estes crimes? Só em Portugal é que tal acontece, o que decerto merece alguma reflexão sobre a real dimensão deste polvo que continua a arruinar o nosso país.

A verdade, e apesar desta tentativa ridícula de vitimização, o que fez o supremo “primeiro-ministro” do Al-Carnidão vai muito, mas mesmo muito, além do que tentaram acusar Pinto da Costa e o FC Porto há cerca de quinze anos atrás. Neste contexto, o polvo encarnado é apenas um tentáculo de um monstro marinho que extravasa o desporto, um tentáculo de uma série de interesses que constituem a base da actual sociedade portuguesa. Este soube utilizar o Al-Carnidão para montar uma teia à volta desses interesses a que rapidamente se aliaram outros dentro do poder financeiro e económico (importante lembrar que este é também o maior devedor do país e peça chave no escândalo BES), do poder político (o caso de Centeno, António Costa e outras figuras de proa de sucessivos governos que se fazem ladear e prestar vassalagem ao supremo líder de bigode) e, como se tem sabido agora, do poder judicial (toupeiras dentro da PJ e do Ministério Público, juízes-desembargadores a pedir favores e a pagar os mesmos, advogados em altas instâncias comprados para defender homicidas e membros do braço armado que criou mas cuja existência alega desconhecer) e também do poder mediático, que tem mantido uma postura incompreensivelmente benévola e tolerante face à gravidade dos casos divulgados.
O Al-Carnidão é altamente beneficiado a todos os níveis mas mais beneficiado ainda é o seu supremo líder. Este facto é base para uma hipótese cada vez mais plausível e que muitos já suspeitam. A fonte original de todos os e-mails que precipitaram a caída das peças de dominó pode ter vindo de dentro do próprio clube por figuras desejosas de ocupar o seu lugar e, com ele, as suas benesses. O que no início, parecia um esquema criado para beneficiar o clube resulta na prática ser um esquema para beneficiar uma série de elementos de distintos meios - entidades bancárias, carreiras políticas, judiciais, mediáticas - em que o Al-Carnidão é, não só, uma parte do esquema como também o seu fim.

Este é um caso relacionado com o desporto mas que há muito o transcendeu e que sinceramente faz parecer as acusações do Apito Dourado uma brincadeira de meninos. Já não estamos a falar de meros jogos combinados ou de competições completamente inquinadas mas sim de algo imensamente mais grave e perigoso. Acontece que há um clube de futebol com a audácia e o à vontade para se intrometer nos assuntos de órgãos de soberania da República Portuguesa, e assim pôr em causa todo o Estado, o sistema judicial português, a nossa democracia e consequentemente a nossa liberdade enquanto cidadãos deste mesmo Estado de direito.
Isso mesmo, o Al-Carnidão com a sua eterna mania da “grandeza” ousou colocar-se acima da nossa liberdade enquanto povo, e quanto a isso ninguém, nem os próprios lampiões, podem ou devem ficar indiferentes.

O que sei é que enfrentar este enorme monstro tentacular pode muito bem vir a ser a maior batalha da História do FC Porto desde os 40 anos de fascismo que assolaram o nosso país e em particular o nosso clube. Uma batalha na qual a nossa união tem que ser à prova de fogo e superior a tudo e todos uma vez que o sistema não vai cair por si mesmo ou tão pouco sem oferecer resistência. Apenas resta saber se o Dragão que vive em todos nós encontra as forças para travar essa mesma batalha sem arredar pé.



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