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Bem vindo Dragão, 23 de Fevereiro de 2019

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Crónicas do Dragão

Poeira assente, já é tempo de falar abertamente de mais uma Taça da Liga perdida pelo FC Porto

Adicionado em: 03 de Fevereiro de 2019 // Fonte: Biba o Porto Carago

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Poeira assente, já é tempo de falar abertamente de mais uma Taça da Liga perdida pelo FC Porto (a terceira). Quem acredita em maldições, deve parar de ler imediatamente aqui. Quem, como eu, acredita que o nosso clube perdeu por culpa própria e devido a razões específicas, é convidado a prosseguir.

É verdade que a história dos penaltis já cansa, sendo que o saldo final se traduz em títulos perdidos. O maior erro do FC Porto nos últimos anos é, quanto a mim, o de não ter optado por definir um batedor específico das grandes penalidades, que não ande ao sabor de modas e correntes, sujeito aos delitos de opinião da massa adepta e aos da sua própria consciência mal falhe o primeiro penalti. Se repararmos nos nossos maiores rivais, eles têm batedores estabelecidos: Jonas de um lado, Bas Dost de outro. Se olharmos a nível internacional, por exemplo, Cristiano Ronaldo é o batedor oficial incontestado das suas equipas.

Este dado conta bastante e desde Jackson Martinez que o FC Porto não tem um batedor oficial digno desse nome. Todos os outros parecem oscilar ao sabor do vento e em função dos treinos da semana, conforme o próprio Sérgio Conceição explicou para mostrar o porquê das escolhas (Telles, Militão, Hernâni e Felipe).

Fica a ideia, desde logo, que ficaram de fora os jogadores que naturalmente melhor relação têm com o remate e, consequentemente, com o golo: Brahimi, Corona (substituído), Oliver (substituído), Herrera, Marega, Fernando Andrade, entre outros.

No lado leonino, pelo contrário, os batedores foram mesmo os homens da linha avançada: Dost, Nani e Bruno Fernandes, sendo que o homem da defesa (Coates) foi o único a falhar. A estatística não mente. Há, além disso, o lado psicológico: Dost foi o homem que bateu a penalidade aos 90 minutos do tempo regulamentar e foi o primeiro, uma vez mais, a assumir a responsabilidade quando se partiu para o desempate por esse meio. Há ali uma hierarquia bem definida, que ninguém contesta e que confere uma organização e tranquilidade à equipa.

O facto do FC Porto constantemente alterar os seus batedores e colocar defesas centrais ou laterais a bater penaltis diz bem do nível de pânico a que o clube chegou no que à marca da grande penalidade diz respeito. A abordagem do clube já não é, pois, racional, mas mais do foro emocional. Foram os que treinaram melhor durante a semana. Numa semana são uns, noutra semana serão outros e assim vai a carruagem. E a estatística, curiosamente, corrobora a avaliação e as escolhas feitas: os avançados, quando chamados a bater, falham mais do que todos os outros.

Na meia-final da Taça de Portugal da temporada transacta, em Alvalade, o FC Porto já aí tinha optado por escolher quase só defesas para bater os penaltis: Marcano (falhou); Telles (converteu); Felipe (converteu); Reyes (converteu), Sérgio Oliveira (converteu); O FC Porto perdeu por 5x4. Uma vez mais, apenas um jogador que não é defesa foi chamado a bater. Iker estava na baliza.

Em Janeiro de 2018, mais uma derrota na meia-final da Taça da Liga frente ao Sporting. Escolhidos: Telles (converteu); Marcano (converteu); Herrera (falhou); Waris (converteu); Aboubakar (falhou); Brahimi (falhou). Iker na baliza.

Em Novembro 2016 foi a vez de sermos eliminados da Taça de Portugal em Chaves (3x1). Aí foram escolhidos Evandro (converteu); Layun (falhou); Telles (converteu); Depoitre (falhou); André Silva (falhou). José Sá estava na baliza.

Em Maio de 2016 foi a Final da Taça de Portugal, perdida diante do Braga (2x4). E note-se que essa foi a 5ª vez que o FC Porto foi chamado ao desempate de grandes penalidades na Taça de Portugal (tendo ganho os 4 duelos até essa data). Escolhidos: Layun (converteu); Herrera (falhou); R. Neves (converteu); M. Pereira (falhou). Helton estava na baliza.

Em 2014 foi a vez de perdemos a meia-final da Taça da Liga, no Dragão, frente ao Benfica. Escolhidos: Quintero (converteu); Jackon (falhou); Ghilas (converteu); Maicon (falhou); Varela (converteu); Fernando (falhou). Fabiano estava na baliza.

Em números redondos, nos últimos desempates, foram batidos 30 penaltis. O FC Porto converteu 15 e falhou outros 15, tendo um aproveitamento de apenas 50%. Optei por efectuar uma distribuição por posições de campo e por nacionalidades, à procura de alguma conclusão óbvia, conseguindo apenas descortinar que os nossos avançados não lidam bem com a pressão de bater o penalty e que Telles parece ser o nosso melhor batedor (4 penalties, 4 golos):

Defesas: total de 14 penaltis, 7 convertidos. Taxa sucesso: 50%
Médios: total de 7 penaltis, 4 convertidos: Taxa sucesso: 57% *
Avançados: total de 9 penaltis, 2 convertidos. Taxa sucesso: 22%.
Portugueses: 5 penaltis, 3 convertidos. Taxa sucesso: 60%
Estrangeiros: 25 penaltis, 12 convertidos. Taxa Sucesso: 48%

* - Apenas incluídos: Fernando, Quintero, Herrera, R. Neves, Evandro, S. Oliveira e Fernando. Os outros, como Brahimi, Hernâni e Varela, foram classificados como Avançados.

Todos sabemos, é certo, que a história pesa. Por alguma coisa, o nosso rival não ganha títulos internacionais há décadas, pese embora chegar amiúde a finais internacionais. O mito de Bella Guttman serve para ensaiar umas brincadeiras, mas claramente não explica tudo. Todos sabemos porque é que o SLB perde finais internacionais: é um problema de bloqueio mental e de falta de cultura de vitória.

Para que o FC Porto não caia de forma indelével nestes mitos e fantasmas, muito ajudaria a que o clube enfrentasse o problema de frente e o quisesse de facto resolver de uma vez por todas, definindo um batedor oficial e treinando-o nos treinos todos os dias, acabando de vez com o mito de que os penaltis não se treinam. Acredito que, se a equipa começar a concretizar os penaltis que vai tendo ao longo do campeonato, consiga preparar-se de forma mais conveniente para este meio de desempate, assim ele surja. Cristiano Ronaldo não teria a estatística que tem dessa marca (131 penaltis, 83% convertidos), a menos que continuemos a acreditar na sorte ou no azar como factor de conquistas de vitórias, coisa que, aliás, é alheia à cultura de trabalho do FC Porto e ao modo de pensar dos adeptos portistas.

Longe vão os tempos em que Lucho Gonzalez (85% de taxa de sucesso no Porto) e Hulk (82% em toda a carreira) assumiam a responsabilidade de todos os penaltis do clube, levando a que a margem de aproveitamento dos mesmos fosse muito superior aos dias actuais. Segundo dados do Transfermarket, que não podem servir de grande avaliação, porque incluem épocas onde não há desempates por grandes penalidades, é esta a estatística geral de aproveitamento:

Esta época está a ser, assim a pior ao nível do aproveitamento. O quadro parece ainda sugerir que a selecção de um especialista e a não dispersão dos penaltis por vários batedores ajudam a subir os níveis de sucesso.

Outro ponto que também merece atenção é a utilização dos guarda-redes de forma rotativa nas várias taças. Percebe-se que o treinador não queira colocar o nº 1 a fazer todos os jogos da época, sob pena de perda de motivação dos segundo e terceiro keepers. Mas a verdade é que esse critério tem custado títulos ao clube, já desde a famosa utilização de NES em detrimento de Baía numa Final da Taça de Portugal, diante do Benfica, a poucos dias da Final de Gelsenkirschen.

As opções escolhidas são de respeitar, obviamente, mas não chamem a sorte ou o azar para esta equação, pois ela nada tem a ver com a anormal quantidade de discussões perdidas da marca de grande penalidade. Perdemos por incompetência e continuaremos a perder se não nos debruçarmos sobre o problema com intenções de o resolver.

Escrito por: Rodrigo de Almada Martins



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